Canção do Cuco, de Frances Hardinge

Canção do Cuco, de Frances Hardinge

Havia um colar invisível de agoras, esticando-se na frente dela ao longo da estrada curva e maluca, cada conta um segundo dourado. Não fazia ideia de quantos ainda tinha. Talvez cem milhões, talvez menos de dez.

E ria, sabendo que a cada risco, a cada curva que faziam a toda a velocidade, o colar podia ser quebrado, e suas contas, dispersas, perdidas na sarjeta. Tudo era possível. Nada era certo.

E isso, isso era maravilhoso.

Em a Canção do Cuco o leitor é apresentado a Triss, uma jovem menina de apenas 11 anos que desperta em um hospital após um acidente grave. Ela pouco se lembra do ocorrido. Apenas tem uma fome insaciável e coisas estranhas acontecem ao seu redor: são bonecas que querem matá-la, que gritam desesperadoramente, tesouras que a perseguem, folhas mortas que aparecem em seu quarto e uma série de outras particularidades que fogem ao normal. Como se os problemas não fossem suficientes, ela ainda chora teias de aranha no lugar de lágrimas e sua irmã mais nova, Pen, parece ter um medo fora do normal da irmã, como se a criança fosse uma assombração.

A fome que Triss sente é tão absurda que ela começa a comer objetos e até as suas próprias bonecas. Chega até a comer frutas podres caídas no chão. E apesar de ingerir tanto alimento ela parece cada vez mais raquítica e desnutrida. Assustados com a situação da filha, os pais começam a levar a criança para diversos médicos, mas nenhum tratamento parece resolver até que, em uma ocasião de aparente sorte, eles encontram um alfaiate que diz saber o que se passa com a menina e conhecer formas de tratamento. Então Triss mergulha em um mundo de fantasia onde ela vai enfrentar diversas situações perigosas até descobrir o que realmente está acontecendo consigo e como sair dessa enrascada antes que seu tempo acabe. E ele está se esgotando rapidamente, muito rapidamente.

Ao ler a sinopse do livro e ver a capa o leitor pode ficar assustado e receoso acreditando tratar-se de um livro de terror. Foi o que me ocorreu e me levou a comprá-lo, mas é puro engano. Trata-se de uma obra infantojuvenil, quase uma fábula sobre a preciosidade da vida e do tempo. Escrito de forma envolvente pela autora, Francis Hardinge, leva o leitor a passear com as personagens por esse mundo fantástico onde coisas incríveis e terríveis acontecem. Ao mesmo tempo que desperta raiva, também desperta compaixão, medo, vontade de ajudar a Triss e a Pen e toda uma catarse de sentimentos que, ao final, deixam com vontade de ler mais e saber o que aconteceu com nossas personagens tão queridas.


Livro: Canção do Cuco
Autora: Frances Hardinge

D. M. Bittar

Nascido em 11/08/1980 em Brasília. Morou a vida toda na cidade. Se formou em Ciência da Computação pela Universidade Católica de Brasília e atualmente trabalha na área. Formou-se teatro na Companhia da Ilusão. Ama as artes cênicas e possui a leitura, a escrita e o teatro como principais hobbies.

0 Comentários

Nenhum Comentário Ainda!

Você pode ser o primeiro a comentar esta publicação!

Deixar uma Resposta