Fome, de Márcio Benjamin

Fome, de Márcio Benjamin

Emocionante, aterrorizante e desesperador. O que mais dizer de “Fome”, o segundo livro do autor Márcio Benjamin? Uma história de terror nordestino sobre zumbis que vai arrepiar os seus cabelos. Trata-se do segundo livro do autor, que estreou com a publicação de “Maldito Sertão”, um livro de contos assombrosos baseado nas lendas e no folclore popular da região. Contudo, o foco dessa resenha é o segundo livro, que desde o começo vai te deixar com vontade de devorá-lo do começo ao fim em pouco tempo.

A história já começa a todo vapor com o primeiro ataque dos zumbis logo nos capítulos iniciais. Dona Zefa, proprietária de um bar da região, já no prólogo, é a azarada vítima de um crime bárbaro, que deixa chocados o delegado e seu assistente. No começo, os personagens ainda não sabem o que está acontecendo; mas você, leitor, sim, o que torna o clima de suspense e ansiedade ainda maior no decorrer dos eventos. Concomitantemente, a filha de Zefa está retornando para a região, para ter com sua mãe, em uma viagem de ônibus. Durante o traslado, o motorista também presencia uma cena que abala o seu estado mental e quase causa um acidente com os passageiros. Decorrido os eventos iniciais, o delegado junto com o assistente iniciam o processo investigativo, que vai acabar com revelações contundentes e uma busca desenfreada pela sobrevivência dos poucos que vierem a ter essa sorte. Fora isso não tenho como falar mais da história sem dar grandes spoilers, portanto eu deixo você buscar a leitura que, com certeza, vai adorar.

Uma das coisas que chama muita atenção na história é a diferença que os zumbis nordestinos desse enredo têm quando comparado com os clássicos. Acho que a mais gritante de todas é que eles não são puro instinto e não agem apenas por agir, não existem apenas por existir. Aos zumbis desse livro resta um pouco de consciência e um pouco de capacidade, o que é notado com o fato de um deles ainda levar um tempo para se vestir e com a descrição do que eles estão sentindo. Inclusive, a descrição da fome e da dor que eles sentem por causa dela é tão bem feita que eu, enquanto lia o livro, acabava sentindo fome também. Ademais, eles ainda retêm, mesmo que limitadamente, a capacidade de aprender uns com os outros. Assim, quando um dos bichos começa a correr, logo eles descobrem que não precisam ser lentos e rastejantes. Imagina agora fugir de zumbis esfomeados, inteligentes e velozes? Haja fôlego no coração.

Por fim, o final do livro é uma obra prima a parte. É espetacular. É algo que há de surpreender o mais safo dos leitores. Infelizmente, não posso dar detalhes para não estragar o seu prazer na leitura. Para concluir, com uma escrita simples, mas envolvente; de leitura fácil; com capítulos pequenos, mas bem escritos; Márcio Benjamin consegue, com “Fome”, criar um terror nacional, ambientado no sertão que, certamente, irá te cativar e entreter por longas horas. Ou não, pois você há de devorá-lo rapidamente!!!

D. M. Bittar

Nascido em 11/08/1980 em Brasília. Morou a vida toda na cidade. Se formou em Ciência da Computação pela Universidade Católica de Brasília e atualmente trabalha na área. Formou-se teatro na Companhia da Ilusão. Ama as artes cênicas e possui a leitura, a escrita e o teatro como principais hobbies.

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